Águas Cuiabá reaproveita resíduos do saneamento | Iguá SA
Notícias
Águas Cuiabá reaproveita resíduos do saneamento
22 de maio de 2026
Quando a água chega tratada às torneiras e o esgoto passa pelo processo de tratamento, muita gente não imagina que, além da preservação dos rios e da saúde pública, esse processo também gera toneladas de resíduos. E o que antes teria como destino final os aterros sanitários, alternativa prevista e ambientalmente correta pela legislação, agora ganha uma nova utilidade sustentável. Por meio de uma parceria entre a Águas Cuiabá, do grupo Iguá Saneamento, e a Agricultura Bioativa Ambiental, empresa cuiabana especializada em compostagem, o material retorna para a natureza em forma de fertilizante orgânico, contribuindo para a agricultura e fortalecimento da economia circular.
Gerado a partir do processo de tratamento de água e esgoto, o projeto conhecido como biolodo é a transformação do lodo em um fertilizante rico em matéria orgânica e nutrientes. O resíduo passa por processos específicos de estabilização e tratamento para garantir segurança ambiental e viabilidade de reaproveitamento. “A iniciativa transforma o que antes era um passivo ambiental em composto orgânico que pode ser utilizado na recuperação do solo, pastagens, fruticultura e outras culturas”, explica Jully Anne Carvalho, coordenadora de qualidade e meio ambiente da Águas Cuiabá.
Ao longo de 2025, a concessionária já destinou mais de 10,7 mil toneladas de resíduos provenientes das estações de tratamento para a compostagem, garantindo que 100% desse material seja reaproveitado e receba destinação sustentável. Desse total, 7,4 mil toneladas foram de lodo de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) destinada para a compostagem orgânica.
A iniciativa da compostagem é realizada em parceria com a Bioativa, empresa cuiabana especializada em compostagem e reaproveitamento de resíduos orgânicos. Há cinco anos atuando no setor, a empresa recebe diariamente mais de 120 toneladas de resíduos sólidos e líquidos, transformando o material em fertilizante orgânico.
De acordo com o diretor de produção da Agricultura Bioativa Ambiental, Paulo Theodoro, o potencial do biolodo para uso agrícola é significativo, especialmente no fortalecimento do solo. “Esse material tem grande capacidade de enriquecimento, contribuindo para a recuperação de áreas e aumento da produtividade, principalmente em pastagens. Além disso, é uma solução prática e sustentável, que reforça a economia circular ao transformar um resíduo em insumo de valor”, destaca.
Paulo explica ainda que, após o processamento do biolodo, parte da produção do fertilizante também retorna para a Águas Cuiabá, em forma de cashback. O insumo passa então a ser utilizado em ações socioambientais desenvolvidas na capital. Somente em 2025, 25,8 toneladas do insumo foram aplicadas em iniciativas promovidas pela concessionária.
Ciclo sustentável - Entre as ações já beneficiadas estão o plantio de mudas para compensação ambiental na comarca do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, apoio à recuperação de pastagem em propriedade de pequeno agricultor e o plantio de ipês em parceria com o Ministério Público, por meio do projeto “Em memória delas”. Para 2026, o biolodo também será utilizado na implantação inicial de uma horta no Abrigo Bom Jesus, fortalecendo ações socioambientais e promovendo melhorias nos espaços da instituição.
Parte do lodo gerado nas Estações de Tratamento de Água (ETA) também recebe destinação sustentável por meio de parcerias locais. Em 2025, 3,3 mil toneladas de lodo foram destinadas para a compostagem e parte desses resíduos são doados para olarias, para fabricação de tijolos, e para artesãs da comunidade São Gonçalo Beira Rio, que utilizam o insumo na produção de peças artesanais de argila.
A coordenadora da Águas Cuiabá destaca que o projeto demonstra, na prática, os benefícios da economia circular para a cidade. “O projeto Biolodo mostra que é possível dar um novo significado aos resíduos gerados no saneamento. Mais do que uma destinação ambientalmente correta, estamos promovendo reaproveitamento, reduzindo impactos ambientais e criando benefícios que retornam para a própria população, seja no fortalecimento de projetos sociais, ambientais ou na recuperação de áreas produtivas”, afirma.